As “dezVantagens” de ter um carro elétrico

Quando falamos de carros eléctricos é habitual ouvirmos alguém argumentar que estes veículos também são muito poluentes devido à produção das baterias e que a electricidade usada no carregamento tem em grande parte origem em centrais a carvão ou fuel.
As baterias dos veículos eléctricos acabam por ser uma das maiores fontes geradoras de confusão e de opiniões que na maior parte das vezes não são baseadas em factos concretos e reais. Invariavelmente os argumentos andam sempre à volta da pegada ecológica do carro elétrico, das baterias que têm um tempo de vida de poucos anos, da baixa autonomia, e do elevado custo que estas representam.

1 – As baterias dos carros elétricos têm de ser trocadas ao fim de 4 ou 5 anos.

Existem carros eléctricos a circular há mais de uma dúzia de anos, e se é inegável que as baterias de primeira geração tinham um desgaste mais acelerado, também é certo uma pequena fracção destes veículos teve necessidade de trocar as baterias por avaria. A maior parte destes automóveis tem mais de 100 mil km e foram essenciais para que a tecnologia evoluísse, levando a que os fabricantes dêem 8 anos de garantia nas baterias de alta tensão sem que isso lhes traga grandes riscos. Ainda assim a tradicional bateria de chumbo de 12V, provávelmente terá de ser substituída ao final de 5 anos, ao contrário dos automóveis a combustão que na maior parte dos casos não dura mais de 5 anos.

2 – As baterias dos carros eléctricos não são seguras e podem explodir ou electrocutar os passageiros.

O medo de ser electrocutado é infundado apesar de ser verdade que existe muita energia armazenada na bateria e a ser distribuída pelo automóvel, esses sistemas são completamente protegidos e isolados. A probabilidade de apanhar um choque num automóvel eléctrico é praticamente tão baixa quanto num automóvel a combustão.
Por outro lado o automóvel a combustão leva clara vantagem no que diz respeito a incêndios pois é muito mais provável que tal aconteça num automóvel a combustão do que num eléctrico. De qualquer forma em ambos os casos causará sempre danos irreparáveis.

3 – As baterias vão para o lixo quando deixam de ter capacidade de carga e não podem ser recicladas, aumentando assim a poluição associada ao ciclo de vida do veículo.

Ao final de muitos anos e quando as baterias deixem de ter uma autonomia que permita ter uma mobilidade sem limitações, ou quando por qualquer motivo o veículo entre em fim de vida, a sua bateria, o motor e grande parte da electrónica podem ser reutilizadas na conversão de veículos a combustão ou em baterias para utilização estacionária com painéis solares prolongando seguramente a sua vida útil por pelo menos mais 10 anos.
Alguns projectos desta natureza que promovem activamente uma economia circular, têm sido desenvolvidos por exemplo pela EVolution.
Ainda assim e no final de vida útil a sua reciclagem é possível em mais de 95%. As baterias de chumbo, tradicionais dos automóveis a combustão, também são recicláveis em grande percentagem, no entanto o ácido que está no seu interior é altamente prejudicial ao meio-ambiente.

4 – A construção e utilização de um carro elétrico é muito poluente

Em 2015 a Union of Concerned Scientists lançou um vídeo que mostrava exactamente a emissão de CO2 de um automóvel convencional relativo às de um modelo elétrico – Ver Vídeo
Apesar de no processo de fabrico as emissões de CO2 serem muito semelhantes em ambos os casos, os eléctricos compensam rapidamente essa diferença assim que começam a ser conduzidos pelo simples facto de que não utilizam combustíveis fósseis e não têm trocas frequentes de lubrificantes. Com o passar dos anos, os motores a combustão vão sofrendo desgaste que por sua vez leva a um aumento de ineficiência e por sua vez a maiores consumos de combustível e óleo, coisa que não existe num motor eléctrico. Isto para não falar da eficiência energética do próprio motor que no caso do eléctrico é bem superior a 90% e no de combustão até no papel é difícil passar dos 40%.

5 – A rede eléctrica não vai conseguir aguentar o carregamento de todos os automóveis eléctricos que vão aparecer

Digamos que depende da perspectiva que estivermos a considerar. Primeiro importa esclarecer que a electricidade nos dias de hoje está disponível praticamente em todo o lado. E porque a transição do parque automóvel para o eléctrico não irá acontecer num estalar de dedos, a infraestrutura irá adaptar-se e crescer em função das necessidades.
Se a questão for disponibilidade de potência da rede eléctrica num determinado local, há que reconhecer que não será possível em muitos locais ter um grande número de veículos a carregar em simultâneo porque a potência disponível não o permite. Nesse caso, tal como no caso da combustão o utilizador tem 2 opções: esperar na fila para abastecer ou procurar um outro ponto de abastecimento sem fila. A limitação actual no caso do eléctrico é que ainda não é possível fazer uma carga total em 10min e neste caso o automóvel a combustão ainda leva vantagem.
Por outro lado se estivermos a considerar a quantidade de energia necessária para abastecer todo o parque automóvel, não só não é um problema como é uma das maiores vantagens do eléctrico, pois produzir electricidade em casa ou no trabalho é seguramente mais viável do que produzir combustível. Se ainda não descobriu como sair do vermelho e tornar-se mais independente, vá a https://www.zeev.pt/energia/
Se faz parte dos mais de 80% da população que circula em média 50km por dia, o seu consumo de electricidade para carregamento diário será sensivelmente 8kWh, o que admitindo que vive no centro do país, necessita apenas 8 painéis fotovoltaicos para gerar essa energia. Não, não precisa ter um campo de futebol de painéis com é comum ouvir-se dizer.

6 – As baterias têm pouca autonomia e limitam a mobilidade do utilizador.

Também um super desportivo a combustão tem também uma autonomia limitada, em alguns casos a pouco mais de 250km mas não deixa de ser adequada à sua utilização normal.
Actualmente qualquer veículo eléctrico tem uma autonomia real de pelo menos 300km, e esta autonomia é suficiente para a utilização normal diária. Todos os carros elétricos novos permitem carregamento rápido ou super-rápido e este factor, mais do que ter uma grande capacidade de bateria, é muito mais importante pois determina a rapidez de reposição do nível de carga. Naturalmente terão de existir postos de carregamento que satisfaçam estas necessidades, tal como tem vindo a ser feito por operadores como EVpower
Tal como com as bombas de gasolina, a existência de uma rede bastante alargada de postos de carregamento rápido e super-rápido é determinante para que não existam limitações de mobilidade ou pouca autonomia. Também as bombas de gasolina manuais há muitos anos atrás demoravam mais de 25minutos a abastecer 40 ou 50 litros.

7 – O carro eléctrico é muito mais caro e não compensa.

O “caro” é sempre um conceito muito relativo. Genericamente o carro elétrico custa sem nenhuma dúvida mais 20% ou 30% do que um equivalente a combustão. Mas como o seu custo de utilização é pelo menos 3 ou 4 vezes mais baixo do que a combustão, rapidamente se torna mais “barato”.
Acontece no entanto que o automóvel eléctrico se vai tornando tão mais barato quanto maior for a sua utilização na medida em que o custo por km percorrido é muito reduzido.

8 – O hidrogénio é que vai ser o futuro e não o eléctrico.

É muito comum verificar a confusão que existe entre tecnologia de motorização e tecnologia de armazenamento de energia, tornando-se um caso sério quando em muitos casos esse desconhecimento provém dos próprios stands de automóveis.
Há uma certeza que já todos têm: a motorização de tracção de todos os automóveis será eléctrica, a não ser que algum fabricante esteja a pensar lançar um automóvel clássico.
A discussão mais acesa entre fabricantes tem a ver com a tecnologia de acumulação: uns defendem a bateria de lítio, outros a pilha de hidrogénio e os mais conservadores e protectores do negócio tradicional de pós-venda, uma bateria de lítio e um tanque de combustível, o chamado veículo híbrido.
Tratando-se de uma tecnologia que se pretende seja moderna e para o futuro, o híbrido plug-in será em alguns casos uma boa opção pois faz uso de uma bateria de lítio para a utilização diária e como recurso tem o motor de combustão para as grandes viagens, pese embora venha a ser uma tecnologia obsoleta dentro de poucos anos.
A tecnologia baseada na pilha de hidrogénio embora seja totalmente sustentável, requer uma manutenção muito regular e obrigatória dado o elevado risco de explosividade do hidrogénio, dando origem a custos de manutenção que com o passar do tempo serão cada vez maiores. Além disso, do ponto de vista de eficiência energética é uma má solução porque é consumida electricidade para produzir e armazenar hidrogénio para depois por um motor de explosão a funcionar como gerador e voltar a produzir electricidade.
Finalmente, as baterias de lítio também não serão a solução de futuro ou pelo menos não serão a única tecnologia de armazenamento. As suas principais desvantagens são uma densidade energética relativamente baixa para o peso que têm, bem como algumas limitações no que diz respeito à rapidez de carga e descarga devido ao efeito provocado pelo aumento de temperatura nestes dois processos. Ainda assim esta é nos dias de hoje a melhor tecnologia de armazenamento, a mais eficiente e aquela que permite ter uma grande autonomia da rede eléctrica quando gera a sua própria electricidade.

9 – O carro eléctrico não faz barulho e isso é um perigo para os peões.

Assumindo que este é um argumento com alguma lógica, seria expectável que cada novo automóvel produzido faça mais barulho que os existentes para se fazer ouvir.
A verdade é que os peões não deixam de ser atropelados por motos e automóveis que fazem muito barulho e isso acontece porque o ruído nas cidades é já tão grande que qualquer veículo passa despercebido ou porque a distracção com o telefone inibe a percepção de qualquer ruído comum.
As cidades com veículos eléctricos sem emissões de gases e de ruído vão ganhar mais duas identidades próprias: a do som e do cheiro.

10 – O carro eléctrico ao final de alguns anos não tem nenhum valor

Os carros eléctricos não são diferentes dos carros a combustão na hora de desvalorizar com o tempo: quanto mais idade menos valor tem, isto claro se deixarmos de fora alguns modelos mais icónicos.
Mas a curva de desvalorização é também afectada por outros dois factores importantes: a quilometragem que está directamente ligada ao desgaste dos componentes, e à evolução tecnológica.